outra vez, sufocada.
pego meu celular e vejo que horas são
00:21
não é tarde pra quem tem que acordar às 8:00.
(8:02, pra ser mais exata)
o que fazer com esse monte de entulho dentro da cabeça? o que fazer com a cabeça gorda, pesando pra todo lado?
são os tempos: todos os tempos que se intercalam em mim, acumulando num lugar só.
aí, eu sempre vou até a janela e ensaio um devaneio, que às vezes vira um choro calado, ou até uma oração
(não, não rezo a Deus pai Nosso, simplesmente oro!)
oro a um oráculo:
grande afago nos meus cabelos
porto-seguro
dobra do universo
oro a qualquer coisa;
pois qualquer coisa talvez vença essa velocidade
com que os pensamentos engordam a minha cabeça.
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
pela primeira vez
tem uma lixeira em baixo da minha escrivaninha
pela primeira vez, em anos
ao deitar em minha cama
e olhar para a escrivaninha
vejo a lixeira
novidade
jamais esteve aí, essa lixeira
e eu nunca havia me questionado sobre o esforço cotidiano de ter de ir ao banheiro jogar o lixo
ou à lixeira da cozinha;
jamais me questionei sobre a praticidade que eu já poderia ter me doado.
essa lixeira recém-comprada
pensada pra compor outro cenário
outro ambiente
outra casa em que vai haver:
praticidade
outra casa em que vai haver
pijamas mais sexys
conversas de madrugada
bebdidinha no fim do dia
baseado quando vier a calhar
outra casa em que vai haver
duas pessoas
uma varanda menor (com cadeiras)
uma cama maior (sem cadeiras)
um sofá antigo com dois assentos
vai haver cozinha diferente
banheiro com quadro na parede
luminárias e mais escuridão
mais silêncio e mais música
melodias novas
escritório
prateleira de livros
meu mesmo quadro de girassois do Monet
meu mesmo mancebo de colares da vovó
e uma lixeira, de baixo da escrivaninha.
pela primeira vez, em anos
ao deitar em minha cama
e olhar para a escrivaninha
vejo a lixeira
novidade
jamais esteve aí, essa lixeira
e eu nunca havia me questionado sobre o esforço cotidiano de ter de ir ao banheiro jogar o lixo
ou à lixeira da cozinha;
jamais me questionei sobre a praticidade que eu já poderia ter me doado.
essa lixeira recém-comprada
pensada pra compor outro cenário
outro ambiente
outra casa em que vai haver:
praticidade
outra casa em que vai haver
pijamas mais sexys
conversas de madrugada
bebdidinha no fim do dia
baseado quando vier a calhar
outra casa em que vai haver
duas pessoas
uma varanda menor (com cadeiras)
uma cama maior (sem cadeiras)
um sofá antigo com dois assentos
vai haver cozinha diferente
banheiro com quadro na parede
luminárias e mais escuridão
mais silêncio e mais música
melodias novas
escritório
prateleira de livros
meu mesmo quadro de girassois do Monet
meu mesmo mancebo de colares da vovó
e uma lixeira, de baixo da escrivaninha.
domingo, 4 de março de 2012
fim de semana
Árvore com vento
Cadeira com lá fora
Banheira com Gim Tônica
Sono com cama
Preguiça com desculpas
Noite com grilos
Sexo com solidão
Poesia com Ray Charles
Barato com piscina
Menino com menina
Cadeira com lá fora
Banheira com Gim Tônica
Sono com cama
Preguiça com desculpas
Noite com grilos
Sexo com solidão
Poesia com Ray Charles
Barato com piscina
Menino com menina
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
abra los ojos
eis que, aos olhos dos outros, sou aquilo que cada um vê.
"eu-mesma" esbarro no claro limite do outro "ele-mesmo"...
a vida é tragicômica: caminha-se quilômetros, vive-se por anos - às voltas do próprio umbigo.
(e quem diria, já foi ligado por um ínfimo cordão à barriga que nos guardou, iniciantes no mundo que éramos)
.....................
apenas durante um apaixonado momento de volúpia, é que um umbigo novamente se liga a outro.
no mais: egoístas e invejosos, esses somos os si-mesmos.
seres pensantes vivendo o cio eterno.
no mais: erotizados por natureza, polimorfos-perversos (pra não dizer na ordem freudiana)
.....................
eis que, aos olhos dos outros, sou aquilo que alguém já viu em idealização: sou sonho já sonhado.
"eu-mesma" esbarro no claro limite do outro "ele-mesmo"...
a vida é tragicômica: caminha-se quilômetros, vive-se por anos - às voltas do próprio umbigo.
(e quem diria, já foi ligado por um ínfimo cordão à barriga que nos guardou, iniciantes no mundo que éramos)
.....................
apenas durante um apaixonado momento de volúpia, é que um umbigo novamente se liga a outro.
no mais: egoístas e invejosos, esses somos os si-mesmos.
seres pensantes vivendo o cio eterno.
no mais: erotizados por natureza, polimorfos-perversos (pra não dizer na ordem freudiana)
.....................
eis que, aos olhos dos outros, sou aquilo que alguém já viu em idealização: sou sonho já sonhado.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
a espera de uma fotografia
acordei no meio da noite
sufocado
saí do quarto, entregue aos caminhos que percorro automaticamente em minha casa;
passei pelo banheiro,
desejei uma banheira de sonhos
e bolhas de papel,
(bodas de papel?)
desejei uma fantasia louca
uma mulher rouca
tentando gemer pra mim,
desejei uma festa colorida
entorpecentes de graça
sem fila pra ir ao banheiro,
(filha pra ir ao banheiro?)
desejei ter dela um bebê
fazer-lhe bem
dormir sobre sua barriga
desejei um grande cotonete
que me penetrasse, esvaziando-me de mim
invadido e esvaziado, como uma mulher sofrida
(ardida?)
desejei uma gravata
pra que ela me botasse em frente ao espelho
e me engomasse, como a um menino paparicado.
encontrei-me nu, no sofá
em frente a um porta-retratos
ainda sem fotografia.
sufocado
saí do quarto, entregue aos caminhos que percorro automaticamente em minha casa;
passei pelo banheiro,
desejei uma banheira de sonhos
e bolhas de papel,
(bodas de papel?)
desejei uma fantasia louca
uma mulher rouca
tentando gemer pra mim,
desejei uma festa colorida
entorpecentes de graça
sem fila pra ir ao banheiro,
(filha pra ir ao banheiro?)
desejei ter dela um bebê
fazer-lhe bem
dormir sobre sua barriga
desejei um grande cotonete
que me penetrasse, esvaziando-me de mim
invadido e esvaziado, como uma mulher sofrida
(ardida?)
desejei uma gravata
pra que ela me botasse em frente ao espelho
e me engomasse, como a um menino paparicado.
encontrei-me nu, no sofá
em frente a um porta-retratos
ainda sem fotografia.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
infância
Fazes parte de minha vida como jamais fizeste
como se me pudesses assaltar a memória
e converter-te em minha única história.
Encontro-te em eterno reencontro
como quando vou a praia e avisto o mar
o mesmo mar de minha infância
penetra-me nas mais recentes fotografias
as de ternura, as de todo dia
as das viagens mais lindas.
E mesmo meu passado
vai se infiltrando dentro deste momento
e misturando-se a ti;
tu que és matéria densa
que me corres pelo interior como sangue
e num corte jorras para fora, separado de mim.
E ao teu lado posam os meus amigos (espelhos meus)
dos novos aos antigos
renovados diante da força da tua companhia
reencontro-te
a cada vez que os olho nos olhos
ávida por me descobrir como jamais esperava ser.
Reencontro-me em ti, a todo o momento
tu és minha história até aqui
já que sempre perambulastes ao me redor, desde criança.
como se me pudesses assaltar a memória
e converter-te em minha única história.
Encontro-te em eterno reencontro
como quando vou a praia e avisto o mar
o mesmo mar de minha infância
penetra-me nas mais recentes fotografias
as de ternura, as de todo dia
as das viagens mais lindas.
E mesmo meu passado
vai se infiltrando dentro deste momento
e misturando-se a ti;
tu que és matéria densa
que me corres pelo interior como sangue
e num corte jorras para fora, separado de mim.
E ao teu lado posam os meus amigos (espelhos meus)
dos novos aos antigos
renovados diante da força da tua companhia
reencontro-te
a cada vez que os olho nos olhos
ávida por me descobrir como jamais esperava ser.
Reencontro-me em ti, a todo o momento
tu és minha história até aqui
já que sempre perambulastes ao me redor, desde criança.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
quantos tijolos?
De quantos tijolos preciso pra construir uma casa?
uma base de umas duas dezenas pra assegurar a existência de um chão.
(casa sem chão é como viver em suspensão)
uns tantos centésimos pra levantar paredes
(as paredes escondem-nos dos maus olhos)
o telhado não se faz com tijolos
nem as janelas
o primeiro protege das precipitações
(e também do céu estrelado)
as segundas desvendam um pouco do mistério do dentro
(fazem vista grossa aos olhos)
e quando o mundo todo olha e olha sem parar:
o melhor é construir paredes mais altas?
tijolos no teto?
vedar as janelas?
ou sair pela porta, vestido de tijolos?
uma base de umas duas dezenas pra assegurar a existência de um chão.
(casa sem chão é como viver em suspensão)
uns tantos centésimos pra levantar paredes
(as paredes escondem-nos dos maus olhos)
o telhado não se faz com tijolos
nem as janelas
o primeiro protege das precipitações
(e também do céu estrelado)
as segundas desvendam um pouco do mistério do dentro
(fazem vista grossa aos olhos)
e quando o mundo todo olha e olha sem parar:
o melhor é construir paredes mais altas?
tijolos no teto?
vedar as janelas?
ou sair pela porta, vestido de tijolos?
Assinar:
Postagens (Atom)