sexta-feira, 20 de abril de 2012
realização
E teve um dia...
em que me senti tão sozinha e desamparada
que inventei uma gravidez
pra conversar com a barriga.
Uma vez em que o mundo parecia tão incerto
que eu inventei um "sim"
em busca de consumar algum alívio
ao meu corpo levitante.
Outras vezes
em que tudo era só saudade
e tolerar qualquer momento presente
era inventar um chão a um buraco infinito.
Também arrebatar-me
na aflição de sentir algo
era inventar-me a mim mesma
efêmera em meio ao perene.
E agora
dizer que SEI e QUERO
é inventar um vida inteira
a qual todos dizem: "sim".
Agora
inventar uma história de amor
perene (em meio ao efêmero)
é motivo justo pra que alguma história se realize.
domingo, 15 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
constelações imaginárias de um senhor
feitas de pequenas estrelas, faiscando antigas paixões
feitas de palavras ao vento, ditas uma só vez
feitas de memórias
desejos e tempo caminhado
são enfeites da vasta noite
em que apenas o silêncio impera
silêncio sepulcral
silêncio espacial
silêncio da solidão
constelamos, neste silêncio idoso, pequenos grupos de pessoas(-estrela)
companhias sonhadas
recordadas com saudade
será que ainda são verdade?
(na vida deste viúvo solitário)
feitas de palavras ao vento, ditas uma só vez
feitas de memórias
desejos e tempo caminhado
são enfeites da vasta noite
em que apenas o silêncio impera
silêncio sepulcral
silêncio espacial
silêncio da solidão
constelamos, neste silêncio idoso, pequenos grupos de pessoas(-estrela)
companhias sonhadas
recordadas com saudade
será que ainda são verdade?
(na vida deste viúvo solitário)
terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
ao amigo que reencontro
Pois se queres saber de minha vida, te conto as boas novas:
mês que vem, vou me casar!
de véu, grinalda, noivo de paletó
com data, hora e lugar marcado
sim, chegou-me esta hora
tu que me dizias pra aproveitar a meninice
o descompromisso da adolescência
a doçura dos amores fugazes
chegou-me esta hora
ajeitar-me numa cama de casal
a um corpo que não é meu
recém-nascida para o tempo a dois
chegou-me esta hora
ele que me tens como espécie rara
que gosta de me olhar a cara
que gosta de beijar
até o dedão do meu pé
vou sim, vou viver com ele
e refazer-me toda
resgatarei
o que nunca soube que era meu.
e tu,
que me escutas agora,
irás me reconhecer?
mês que vem, vou me casar!
de véu, grinalda, noivo de paletó
com data, hora e lugar marcado
sim, chegou-me esta hora
tu que me dizias pra aproveitar a meninice
o descompromisso da adolescência
a doçura dos amores fugazes
chegou-me esta hora
ajeitar-me numa cama de casal
a um corpo que não é meu
recém-nascida para o tempo a dois
chegou-me esta hora
ele que me tens como espécie rara
que gosta de me olhar a cara
que gosta de beijar
até o dedão do meu pé
vou sim, vou viver com ele
e refazer-me toda
resgatarei
o que nunca soube que era meu.
e tu,
que me escutas agora,
irás me reconhecer?
domingo, 25 de março de 2012
56 dias de outono
Pesadelos acontecem em plena luz do dia
Após uma noite não dormida
Após sonhos sem sono;
Quando um corpo fatigado
Pede cama e não a encontra
Pede arreio em um mundo acelerado
Sem poder frear seu passo largo
De cidadão afixionado
Por voltas que sempre dão no mesmo lugar.
É de um tremendo mal-estar
Estar nostálgico de sonhos
E carente do conforto de si mesmo
Aquele que se pode encontrar
Na própria pele
Aquele que vem da possibilidade
De devanear
Da fantasia bela
De estar acordado: esperando pasar a estação.
Após uma noite não dormida
Após sonhos sem sono;
Quando um corpo fatigado
Pede cama e não a encontra
Pede arreio em um mundo acelerado
Sem poder frear seu passo largo
De cidadão afixionado
Por voltas que sempre dão no mesmo lugar.
É de um tremendo mal-estar
Estar nostálgico de sonhos
E carente do conforto de si mesmo
Aquele que se pode encontrar
Na própria pele
Aquele que vem da possibilidade
De devanear
Da fantasia bela
De estar acordado: esperando pasar a estação.
terça-feira, 20 de março de 2012
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