segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

outros sonhos

Teria te amado naquelas épocas de telefone de fio, linha ocupada, carro Monza, férias de janeiro no Guarujá.  Eu e você perdidinhos pela praia.
Teria te amado nos tempos de escola, quando as meninas assustavam, e eu queria um menino pra andar de mãos dadas. Teria sido você? Nós dois de sorrisos tortos, olhando pra baixo, cadarços desamarrados, teria te amado até sem saber.  Estudaríamos juntos, tentando beijos desajeitados por cima dos livros.
Depois, teria te amado no topo daquela pedra no meio do Brasil, eu viajando por entre as matas e desbravando o mundo pela primeira vez. Teria até te amado assim, sem mais nem menos, se estivesse vidrada num gringo qualquer, desses grandes aventureiros da vida que sempre desafiaram meu conservadorismo.
Será que teria te amado quando odiei todos os homens, quando ensaiei lesbianismos, quando ensaiei aquela independência forçada? Embebida de autosuficiência, te teria rejeitado enquanto confundido com meu próprio apelo. E na desconfusão, lembraria-me então dos príncipes encantados de minha infância, das minhas doces brincadeiras de mamãe e filha que, vez ou outra, fingiam um papai que chegava e saía. 
Os homens sempre chegavam e saíam. Eis a experimentação da inconstância masculina, que durou toda uma vida.
Teria te amado sim, porque já te amava sem experiementá-lo. E quando topei, enfim, com a realidade de tua existência, não hesitei. Amei-te. E sua doce constância se instalou, e toda a experiência anterior se transformou de vez: o sonho não é real. Mas a realidade inspira os mais diversos sonhos. Outros sonhos. 

domingo, 22 de dezembro de 2013

prenúncio de chuva de verão

Pois as vezes a vida anda meio torta
e, por dias, nada parece voltar ao centro
minutos duros contados um a um
preenchem horas de angústia

e quando cai uma chuva
a noite, depois daquele frenési
calor desnaturado de dezembro
tudo volta ao seu lugar.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

para que te quero?

para que te quereria se não para longas horas de sol e mar?
tomar-te em meus braços e acariciá-lo
abraçar tua pequenez e fragilidade
ensinar-te uma vida menos fácil, menos dada
acompanhá-lo nas mazelas do desenrolar de tua existência.

para que te quereria se não para ser meu?
e para lidar com a intensidade do mundo
que serás mais teu dono do que eu
pois certamente perderei  a posse
que fantasio e que, sem dúvida,  jamais terei.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

esterilidade

engravidar-se de sonho
e esperar pelo parto

é como um gemido de amor
que fenece em tédio

apostar na sinceridade
tem se provado inútil

porque a vida, ouvi outro dia,
é mesmo um grande teatro

nada na realidade
é tão fértil quanto um sonho

se sonhei um dia,
será que acordei vazia?


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

des

E num estado de completo des-socorro
caio em mim
sou ser de extrema fragilidade

pois é nessa derrelição
que seu domínio
vira meu único destino

desando
desencanto
desdigo o que disse

destinada que sou
aos teus descaminhos.

sábado, 14 de setembro de 2013

aos 30

assistindo Rock 'n Rio em casa

sábado, 20:34
calor primaveril

Sebastião Salgado acaba de me emocionar
Procurou e registrou lindamente santuários terrestres
esteve em cada "madre tierra" do planeta

20 seconds to mars
What the hell??
As bandas de hoje em dia não são como as de antigamente


não acordei com a obra
nem com o trânsito
hoje, sábado
cada dia um sábado mais próximo de meu mês de outubro

já vou me despedindo
da vista aberta de minha janela
Dos ataques histéricos em shows
Dos grandes e cansativos eventos pops
doa altos e baixos que emocionam os vinte anos

E aos 29 com retorno de saturno
Decidi começar a viver
Despeço-me de Renato Russo
da deliciosa sensação de não ter responsabilidades

E vou daqui
à grande Real!