segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Aperto

De repente, minha cama encolheu
e também minha calça jeans.
As roupas saltam para fora do armário
Coisas expandem-se para além dos lugares a que pertencem

Não caibo mais em minha casa
não caibo mais nas minhas horas de sono
nem no livro que leio
nem nos formulários que preencho

endereço, estado civil:
EM TRANSIÇÃO

telefone residencial:
INDETERMINADO

meus portáteis é que guardam meus pertences
o chip de meu celular
ou o porta-malas do meu carro

onde pode habitar a lacuna da transição?
se não no travesseiro onde sonho
então na insaciável sede de futuro!

se não nos devaneios que me assaltam (pois também não caibo mais nas 24 horas do dia)
ou na necessidade de "datar" cada rito
então no ilimitado prazer de esperar!

se não na sonora explosão de festejos
e nos numerosos encontros preparatórios
então nas reticências das conversas inacabadas...

Não caibo mais no meu corpo
que luta contra a ventania das mudanças
mantendo-se ligeriramente pesado,
na sua revolta contra a perfeita silhueta.

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