quinta-feira, 19 de julho de 2012

da fertilidade e da morte

...algo me diz que aquilo que me fertiliza, me entope. e vou transbordando até o fim, até o talo do talo. E de repente, não sou mais fértil: sou um corpo pequeno, enfiado em um sofá, e os pensamentos rodam e rodam dentro dele, e nada de novo acontece.

Nada de novo pode acontecer no já sabido.

Os mesmos pensamentos em cada minuto que vem.
É da repetição que nasce a vida?

Eu quero estar fértil, preciso abrir uma porta...
(esse mundo todo feito de portas fechadas, umbigos, umbigos)
Eu quero estar fértil,
retirar-me do que faz morrer, apontar o dedo pra cara da morte (essa morte feita de umbigos gelados e estáticos nos lugares já sabidos que ocupam, essa morte sem dignidade, essa morte que acontece aos vivos) e denunciá-la com toda a raiva que posso sentir.

Denunciar todo o abuso, toda a sedução barata: o que me faz morrer.

A raiva gritada: será o parto que procuro.

2 comentários:

  1. nada de novo pode acontecer no já sabido. me parece um bom ponto de partida.

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  2. "essa morte feita de umbigos gelados e estáticos nos lugares já sabidos que ocupam, essa morte sem dignidade", isso ficou lindo demais.

    e grita, que faz bem. :)

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