terça-feira, 10 de agosto de 2010

mais um dia

quebra-se a mesmice, eis que surge nova gente. novas loucuras, novos afetos. nova vibraçao no ar que insistia-se em manter-se parado e repetido. reino de thânatos.
chega paranóia, auto - sacrifício, culpa histérica que beira o delirio e as fugas de realidade psicóticas. chega uma mulher encapuzada, amedrontada, chorosa. aos poucos vai fazendo vínculos quando - algo acontece que a perturba - de repente sai de si. entra em uma cápsula que a cega e ensurdece ao mundo. olha fixamente aos próprios pensamentos, pupilas vagas e ausentes. sussurra e si mesma e num gesto fugidio, afirma (quase implorando) que vai ao banheiro.
passam 40 mintuos, o banheiro fechado, uma voz baixa e discreta por trás da porta (quero desisitir dela). ela entao sai do banheiro, manchas de sangue pela calça e mãos. sem ter que insisitir muito, convido-a a contar porque havia se machucado. "os porcos estavam soltos. uma manada. querem me devorar em pedaços, sao carnívoros, gostam de carne humana. para distrair os porcos, meu sangue precisa estar espalhado pela minha pele. assim eles sentem seu odor e se afastam..."
pequenos cortes simétricos e horizontais na canela esquerda, que ela faz com um estilete que guarda diariamente na bolsa. tem carinho pelo estilete, é seu objeto mais precioso, mais indispensável.

se a cena era de sangue e estranheza em um lado, do outro era aniversario do oriental. ele sorria, os olhos fechados, a ingenuidade de uma criança que completava 27 anos. contagio geral. bolo de chocolate. campeonato de pingue-pong, fantasiando o kart em grupo. sempre rodeada de gente eu estou nessa labuta.

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