domingo, 10 de abril de 2011

blusa de rosas

no bar, sentou-se ao meu lado. um tanto alterada pela bebida, gesticulava vagarosamente, as sauves mãos femininas, a tenacidade com que falava de qualquer assunto. linda, envolta por tonalidades rosas e vermelhas do que vestia. a sensação de vê-la depois de um tempo fazia com que eu voltasse aos tempos em que éramos juntas, só nós, mulheres em dobro, entregues aos afetos do mundo todo.
estamos ambas acompanhadas pelos nossos respectivos. somos casais não casados, e casávamos alí algo em quatro. e até seis.
novamente entregues aos incertos titubeios afetivos, novamente duas sob os olhos de um Homem (todos os namorados desembocam nele)... apesar de cada qual ser manifestamente de um e de outro, na comunicação muda éramos de todos, inclusive uma da outra (como sempre fora). novamente apresentávamos ao Homem aquilo que ainda não havíamos mostrado, mistério presentificado sob a figura de outra mulher, ou sob a intensidade do desejo do outro homem - por qual? por quem?
nessa multiplicidade, de repente ele se parecia tanto com ela - e eu com o outro ele. o casamento não se trata de propriedade, trata-se da abertura ao múltiplo. e que assim seja...

Um comentário:

  1. vou ter que fazer um comentário mudo! estou sem palavras... de tanto que gostei!

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